Brasil – O setor agropecuário conseguiu driblar parte dos efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros e registrou um crescimento de 1,7% das exportações até novembro passado, com a venda de US$ 155 bilhões, mostra balanço apresentado nesta terça-feira, 9, pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O setor agropecuário exportou US$ 155 bilhões até novembro e esse resultado é 1,7% superior ao apurado no mesmo período do ano passado, ou seja, US$ 153 bilhões. “Mesmo com as restrições no comércio internacional impostas pelas tarifas dos Estados Unidos, conquistamos um crescimento”, relata Sueme Mori, diretora de relações internacionais da CNA.
Exportações
Os produtos exportados mantiveram o padrão de 2024, com a soja em grãos permanecendo na liderança das vendas do Brasil, com a comercialização de US$ 42 bilhões entre janeiro e novembro. Na sequência, aparecem a carne bovina in natura (US$ 14,9 bilhões), o café verde (US$ 13,3 bilhões), o açúcar não refinado (US$ 11,2 bilhões) e a celulose (US$ 9,4 bilhões).
A saída foi os produtores anteciparem os embarques para reduzir prejuízo. Sueme Mori explicou que os setores agrícolas se anteciparam e promoveram as vendas dos produtos até agosto, antes das determinações referentes ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos nacionais. “A atitude compensou a redução das exportações para o mercado americano, que aconteceu de agosto até novembro”, avaliou Mori.
Mercado internacional
A China segue como maior compradora dos alimentos brasileiros e as exportações agropecuárias para esse país asiático aumentaram 10% e totalizaram US$ 52 bilhões neste ano. As vendas para a União Europeia também cresceram e mantiveram o bloco comercial como o segundo maior comprador de produtos nacionais, com US$ 22,9 bilhões. Os Estados Unidos aparecem na terceira colocação mesmo com a redução de 4% das compras, para US$ 10,5 bilhões.
Mas o tarifaço ainda atinge quase metade das vendas do Brasil aos EUA. Mesmo após o recuo e a retirada da sobretaxa de 40% para diversos produtos da agropecuária, a CNA destaca que 45% das vendas permanecem com tarifas adicionais. Entre os itens determinantes que ficaram de fora das exceções, os destaques ficam por conta da tilápia e do sebo bovino, que têm o mercado norte-americano com destino de mais de 90% das vendas internacionais.
Se a gente continuar com esses produtos fora das exceções, estamos projetando um impacto negativo de US$ 2,7 bilhões na pauta agropecuária para 2026″ – Sueme Mori, diretora da CNA
Os acordos comerciais dos EUA entraram no radar do agro nacional. Sueme Mori destaca que as contrapartidas formalizadas pela Casa Branca também são prejudiciais às exportações brasileiras, a exemplo do compromisso de compras agropecuárias de produtores norte-americanos. “Isso tem muitas relevâncias para nós”, afirmou Mori, ao citar os exemplos do Japão, Reino Unido, Indonésia e Vietnã.
Agronegócio
“Como o Brasil é um alto exportador de produtos agropecuários, sempre que o governo americano faz um acordo, aquele país que assume o compromisso deixa de comprar de outro mercado”, destacou Sueme, diretora da CNA.
A CNA comemorou que o agronegócio impulsionou o PIB do Brasil em 2025, e a estimativa aponta para o crescimento de 9,6% do segmento, contra alta prevista de 2,25% da soma de todos os bens e serviços finais produzidos no Brasil.
“Tivemos um clima muito bom neste ano para a produção”, afirma Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação. Para 2026, as expectativas indicam para uma perda de força e avanço de 1% da atividade agropecuária.
O setor diz que desempenho contribuiu com o arrefecimento da inflação, e Lucchi destaca que o arrefecimento de preço dos alimentos consumidos em casa, de 8,23% para 2,05% na passagem de 2024 para 2025, é fruto da safra recorde colhida neste ano. “Podemos dizer que, graças ao agro, a inflação de alimentos ficou dentro da meta, com uma redução de 6,18 pontos percentuais”, afirma Lucchi.
Conseguimos fazer uma coisa que se achavam impossível. Batemos um novo recorde de produção, terminando o ano com uma safra superior a 350 milhões de toneladas, mesmo com restrição de crédito e problemas climáticos” – João Martins, presidente da CNA
China
Os negócios do Brasil com a China têm pontos de alerta para o futuro. A CNA destaca que o plano quinquenal do país asiático prevê o incremento da produção de grãos para reduzir as importações para a ração animal, especialmente de soja. “Isso não se concretizou, mas é um ponto de atenção para nós, que somos os principais fornecedores de ração animal para o mercado chinês”, avalia Sueme.
Outro ponto é que a investigação da China contra a carne mundial preocupa. A apuração aberta contra as importações de carne bovina sob a alegação de dano à indústria doméstica também mobiliza os produtores brasileiros, que são responsáveis por metade das proteínas destinadas àquele país. “Essa investigação devia ser concluída em novembro. Eles adiaram duas vezes e a previsão é de que se conclua em 26 de janeiro”, disse a diretora de relações internacionais.
(Com informações do UOL)