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AgropecuáriaPará

Ovos livres de gaiolas ganham espaço no Pará, mas custos e baixa oferta ainda freiam expansão

Redação
Última atualização: 31 de julho de 2026 22:17
Redação
2 semanas atrás
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Demanda por produtos associados ao bem-estar animal cresce entre consumidores, enquanto agricultores familiares apostam na qualidade para conquistar clientes; economista apontam necessidade de crédito, assistência técnica e investimentos para ampliar a produção (Foto: reprodução/Ivan Duarte/O Liberal).
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O mercado de ovos produzidos por galinhas livres de gaiolas, conhecidos como cage-free, começa a ganhar espaço no Pará, acompanhando uma tendência nacional impulsionada pela busca dos consumidores por alimentos de maior qualidade e pelos compromissos assumidos por grandes redes de supermercados, restaurantes e hotéis. Apesar do avanço, a oferta ainda é limitada no estado, onde a produção se concentra principalmente em pequenos agricultores familiares e enfrenta dificuldades para competir com os ovos convencionais.

Contents
  • Agricultura familiar aposta na qualidade para fidelizar consumidores
    • Custos ainda pesam para pequenos produtores
  • Mercado cresce, mas enfrenta entraves estruturais

Enquanto consumidores demonstram interesse crescente por produtos ligados ao bem-estar animal, a expansão do segmento ainda esbarra em desafios como custos mais elevados, falta de assistência técnica, infraestrutura limitada e logística cara. Para economista, o Pará reúne potencial para ampliar essa produção, mas dependerá de políticas de incentivo e de investimentos que fortaleçam a cadeia produtiva local.

Agricultura familiar aposta na qualidade para fidelizar consumidores

Em Santo Antônio do Tauá, a agricultora familiar e feirante Elizete Cardoso, que comercializa seus produtos na Feira da 25, em Belém, mantém a tradição da família na criação de galinhas soltas. Segundo ela, a decisão de vender ovos produzidos fora do sistema de gaiolas surgiu da percepção de que consumidores urbanos passaram a valorizar alimentos considerados mais saudáveis.

A gente observou que o povo da zona urbana tem essa necessidade de se alimentar com ovos saudáveis. Então, viemos do interior para trazer esse benefício de qualidade. É um trabalho que já vem da nossa família há muitos anos”, destacou. 

Na propriedade, as aves permanecem em espaços adequados e recebem alimentação preparada pelos próprios produtores, composta por milho, capim, folhas de bananeira e excedentes da agricultura familiar, como hortaliças e macaxeiras.

O manejo também inclui horários definidos para alimentação e abastecimento de água.

Segundo Elizete, o principal diferencial percebido pelos clientes está na qualidade do produto.

Quando eles conhecem como a gente cria as galinhas e levam os ovos para experimentar, voltam querendo comprar mais. Eles gostam da gema bem amarelinha e da qualidade”, explicou. 

Custos ainda pesam para pequenos produtores

Embora exista procura pelos ovos produzidos nesse sistema, a rentabilidade ainda é considerada limitada. Elizete afirma que o preço praticado busca equilibrar os custos da produção com a realidade financeira dos consumidores.

Hoje uma cuba com 30 ovos deveria ser vendida por R$ 35, mas a gente vende por R$ 30 para ficar acessível. Se aumentar muito, o consumidor também sente”, disse. 

Ela destaca que os maiores desafios são o custo da alimentação das aves, o controle de doenças e a ausência de apoio institucional.

“Tudo é custeado por nós.Mercado cresce, mas enfrenta entraves estruturais

Para o economista Genardo Chaves de Oliveira, o mercado paraense acompanha uma tendência observada em todo o país, mas ainda enfrenta limitações importantes. Não temos acompanhamento nem benefício governamental. Precisamos de crédito e assistência técnica para mais agricultores conseguirem trabalhar desse jeito”, explicou.

Mercado cresce, mas enfrenta entraves estruturais

Para o economista Genardo Chaves de Oliveira, o mercado paraense acompanha uma tendência observada em todo o país, mas ainda enfrenta limitações importantes.

Segundo ele, o consumo de ovos no Brasil aumentou de 191 para 288 unidades por habitante ao ano entre 2015 e 2025, fortalecendo o alimento como uma das proteínas mais acessíveis e abrindo espaço para produtos diferenciados, como os ovos cage-free.

Ao mesmo tempo, grandes empresas também vêm impulsionando esse movimento. De acordo com o economista, 161 empresas dos setores de alimentação e hotelaria já assumiram compromissos de migrar para o uso exclusivo de ovos produzidos por galinhas livres de gaiolas até 2028, criando novas oportunidades para produtores.

Apesar desse cenário favorável, Genardo ressalta que o Norte ainda enfrenta obstáculos maiores do que outras regiões.

(Com informações de O Liberal)

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