O mercado de ovos produzidos por galinhas livres de gaiolas, conhecidos como cage-free, começa a ganhar espaço no Pará, acompanhando uma tendência nacional impulsionada pela busca dos consumidores por alimentos de maior qualidade e pelos compromissos assumidos por grandes redes de supermercados, restaurantes e hotéis. Apesar do avanço, a oferta ainda é limitada no estado, onde a produção se concentra principalmente em pequenos agricultores familiares e enfrenta dificuldades para competir com os ovos convencionais.
Enquanto consumidores demonstram interesse crescente por produtos ligados ao bem-estar animal, a expansão do segmento ainda esbarra em desafios como custos mais elevados, falta de assistência técnica, infraestrutura limitada e logística cara. Para economista, o Pará reúne potencial para ampliar essa produção, mas dependerá de políticas de incentivo e de investimentos que fortaleçam a cadeia produtiva local.
Agricultura familiar aposta na qualidade para fidelizar consumidores
Em Santo Antônio do Tauá, a agricultora familiar e feirante Elizete Cardoso, que comercializa seus produtos na Feira da 25, em Belém, mantém a tradição da família na criação de galinhas soltas. Segundo ela, a decisão de vender ovos produzidos fora do sistema de gaiolas surgiu da percepção de que consumidores urbanos passaram a valorizar alimentos considerados mais saudáveis.
A gente observou que o povo da zona urbana tem essa necessidade de se alimentar com ovos saudáveis. Então, viemos do interior para trazer esse benefício de qualidade. É um trabalho que já vem da nossa família há muitos anos”, destacou.
Na propriedade, as aves permanecem em espaços adequados e recebem alimentação preparada pelos próprios produtores, composta por milho, capim, folhas de bananeira e excedentes da agricultura familiar, como hortaliças e macaxeiras.
O manejo também inclui horários definidos para alimentação e abastecimento de água.
Segundo Elizete, o principal diferencial percebido pelos clientes está na qualidade do produto.
Quando eles conhecem como a gente cria as galinhas e levam os ovos para experimentar, voltam querendo comprar mais. Eles gostam da gema bem amarelinha e da qualidade”, explicou.
Custos ainda pesam para pequenos produtores
Embora exista procura pelos ovos produzidos nesse sistema, a rentabilidade ainda é considerada limitada. Elizete afirma que o preço praticado busca equilibrar os custos da produção com a realidade financeira dos consumidores.
Hoje uma cuba com 30 ovos deveria ser vendida por R$ 35, mas a gente vende por R$ 30 para ficar acessível. Se aumentar muito, o consumidor também sente”, disse.
Ela destaca que os maiores desafios são o custo da alimentação das aves, o controle de doenças e a ausência de apoio institucional.
“Tudo é custeado por nós.Mercado cresce, mas enfrenta entraves estruturais
Para o economista Genardo Chaves de Oliveira, o mercado paraense acompanha uma tendência observada em todo o país, mas ainda enfrenta limitações importantes. Não temos acompanhamento nem benefício governamental. Precisamos de crédito e assistência técnica para mais agricultores conseguirem trabalhar desse jeito”, explicou.
Mercado cresce, mas enfrenta entraves estruturais
Para o economista Genardo Chaves de Oliveira, o mercado paraense acompanha uma tendência observada em todo o país, mas ainda enfrenta limitações importantes.
Segundo ele, o consumo de ovos no Brasil aumentou de 191 para 288 unidades por habitante ao ano entre 2015 e 2025, fortalecendo o alimento como uma das proteínas mais acessíveis e abrindo espaço para produtos diferenciados, como os ovos cage-free.
Ao mesmo tempo, grandes empresas também vêm impulsionando esse movimento. De acordo com o economista, 161 empresas dos setores de alimentação e hotelaria já assumiram compromissos de migrar para o uso exclusivo de ovos produzidos por galinhas livres de gaiolas até 2028, criando novas oportunidades para produtores.
Apesar desse cenário favorável, Genardo ressalta que o Norte ainda enfrenta obstáculos maiores do que outras regiões.
(Com informações de O Liberal)