Pará – O diagnóstico de que a cadeia produtiva do açaí enfrenta desafios estruturais marcados pela desigualdade e pela ausência quase total do Estado consta de um documento, o Relatório Final do Grupo de Trabalho sobre a Crise do Açaí no Pará, que será lançado na quinta-feira, dia 8, às 14h30, no auditório João Batista, na sede da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), em Belém.
O documento é resultado de 120 dias de trabalho do Grupo Temporário de Trabalho para a Crise do Abastecimento de Açaí no Estado do Pará (GT do Açaí), instituído pela Comissão de Direitos Humanos, Defesa do Consumidor, da Pessoa com Deficiência, da Mulher, da Juventude, da Pessoa Idosa e das Minorias (CDHDC-Alepa), presidida pelo deputado Carlos Bordalo, do PT.

Grupo de Trabalho
Grupo de Trabalho – A criação do Grupo de Trabalho (GT) foi uma resposta direta à grave e persistente crise de abastecimento que atinge produtores, comunidades tradicionais, consumidores e toda a cadeia produtiva do fruto. O grupo foi composto por 38 instituições representando os diferentes segmentos da cadeia do açaí, como órgãos públicos, entidades de classe, cooperativas, produtores, empresas e organizações da sociedade civil.
O objetivo é propor recomendações e estratégias para garantir o abastecimento justo, o fortalecimento da produção familiar, o equilíbrio de mercado e a sustentabilidade ambiental da cadeia.
O relatório foi elaborado a partir da atuação de duas comissões técnicas e de uma coordenação geral, responsável pela sistematização das informações.
As comissões foram formadas por representantes das instituições participantes e a coordenação foi integrada por técnicos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e por assessores do gabinete do deputado Bordalo e da Comissão, que compilaram os resultados e redigiram o documento final.
Diagnóstico
Diagnóstico – O GT realizou escutas públicas, audiências e uma pesquisa on-line com questionários estruturados, voltados a ouvir quem conhece de perto o cotidiano da produção – trabalhadores, produtores, batedores e comunidades ribeirinhas, em municípios paraenses, entre eles Belém, Abaetetuba, Cametá, Afuá, Barcarena, Breves, Castanhal, Igarapé-Miri e Moju, com ampla participação da região Tocantina.
Durante o Festival do Açaí, em junho de 2025, a Alepa, por meio do GT, também realizou uma escuta pública presencial, colhendo depoimentos e sugestões de produtores e trabalhadores diretamente nos estandes do evento.
A combinação dessas etapas – pesquisa on-line, escuta presencial e audiências públicas – resultou em um diagnóstico sólido e representativo, com recomendações estratégicas voltadas à segurança, renda, sustentabilidade e soberania alimentar.
Relatório
Relatório – Da pesquisa ao diagnóstico, os eixos estruturantes consolidados abrangem a Produção, a Comercialização e Temas Transversais (Nutrição, Governança e Cultura). O relatório do GT do Açaí revela as desigualdades estruturais que marcam a principal cadeia produtiva da Amazônia, mas apresenta um plano de ação abrangente para transformá-la em motor de desenvolvimento sustentável.
As recomendações envolvem segurança, educação, crédito, governança e cultura, buscando romper com o modelo concentrador e promover justiça social, descentralização e participação popular.