Iniciativas que já se mostram referência de boas práticas na pecuária familiar e preservação ambiental foram alvo de uma visita de profissionais da Embaixada da Noruega no Brasil, da organização TNC (The Nature Conservancy) e da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (Seaf). A programação ocorreu no Assentamento João Batista II, em Castanhal, na quarta-feira (1), dentro das atividades do projeto ‘Alcançando uma visão Inclusiva para a cadeia produtiva de gado no Brasil’, do Programa Estadual Pecuária Sustentável, que incentiva o desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental e à melhoria da qualidade de vida dos produtores familiares.
Na visita, o grupo conheceu parte da área de cerca de 11 mil hectares do assentamento. O lugar, antes degradado, passou por um intenso processo de recuperação e reflorestamento promovido pelos agricultores familiares que hoje vivem e tiram sustento da terra, com o compromisso de cuidar do meio ambiente, como faz o agricultor José Sangelo da Silva. Há 17 anos ele mantém uma área de preservação florestal na propriedade onde mora, enquanto produz frutas, legumes, cria gado de leite, entre outras atividades. O agricultor defende que ter árvores na área de criação de gado beneficia tanto os animais quanto as pessoas e o meio ambiente.
Ter os animais com conforto e eu também, né? Trabalhar só debaixo do sol é complicado”, ressalta Sangelo. “A gente produz açaí, produz banana, pupunha, essas coisas assim, laranja, tangerina”, enumera o trabalhador rural, que também produz, junto com a esposa, queijo e iogurte e comercializa na comunidade.
Na conversa com os visitantes, falou sobre os desafios de ser um agricultor familiar e, também, do orgulho da atividade que garante alimento saudável na região.
No lote do pecuarista familiar Júnior Amaral, o grupo foi recebido pelo produtor com a esposa e o filho. A renda da família vem da produção de leite e o capricho é grande no cuidado com as 24 vacas mantidas no local. Os animais contam, inclusive com uma área erguida para se abrigar do sol.
“Pecuária leiteira pra nós, é a nossa fonte de renda, o nosso sustento”, afirma Júnior Amaral. “Cada bezerro que nasce é motivo de festa dentro de casa”, complementa o produtor que hoje, fornece o leite para uma empresa de laticínios que busca a produção no próprio lote do trabalhador rural, dentro do assentamento, onde também há uma área de reserva florestal e espaços divididos para o chamado pasto rotacionado, onde os animais se alimentam em áreas diferentes a cada dia, para manutenção da vegetação.
A produção cuidadosa foi considerada um modelo a ser divulgado e copiado, na avaliação do então secretário da Agricultura Familiar do Pará, Cássio Pereira, que participou da visita do grupo ao assentamento João Batista II.
Nós temos aqui vaca produzindo quase 20 litros de leite por dia, isso é uma tecnologia”, destaca Cássio Pereira, lembrando que as vacas recebem uma alimentação complementada por pasto, capineira e suplementação.
As atividades envolvem uma ação integrada do Governo do Estado por meio da Seaf, junto com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) para informar e orientar agricultores familiares para a construção de um novo modelo de produção pecuária, que alia geração de renda, sustentabilidade e inovação.
De acordo com Cássio, os agricultores familiares são fundamentais porque uniram esforços com o Governo do Pará para transformar o modelo de criação de gado e garantir a floresta viva e produtiva, com uso de saberes ancestrais, inovação e tecnologias adaptadas para atender trabalhadores rurais familiares, com atuação em pequenas áreas.
Isso aqui é exemplo, é a realidade que mostra que é possível fazer uma pecuária familiar sustentável, produtiva”, reforçou Cássio Pereira.
O projeto ‘Alcançando uma visão Inclusiva para a cadeia produtiva de gado no Brasil’, do Programa Estadual Pecuária Sustentável, promove práticas produtivas responsáveis e incentiva o desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental e à melhoria da qualidade de vida dos produtores familiares. Tem apoio da TNC (The Nature Conservancy), com financiamento da Iniciativa Internacional da Noruega para o Clima e Florestas (NICFI) e parceria executiva com a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Pará (FETAGRI) e Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Estado do Pará (FETRAF).
(Com informações da Seaf)