O Brasil é o maior produtor de café do mundo. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos estimada para a safra deste ano é de 51,8 milhões de sacas, uma queda de 4,4% na comparação com a colheita de 2024. As mudanças climáticas são as principais responsáveis pelo impacto no setor, com o aumento das temperaturas afetando o período de floração do cafeeiro.
Produtor de café em uma fazenda de 240 hectares em Patrocínio, Cerrado de Minas Gerais, Marcelo Montanari vê no solo as intempéries climáticas provocadas pelo aquecimento global. Diversos meses por ano, ele tem de driblar o calor, a seca e a falta de chuva na região para manter sua produção e abastecer seus clientes, entre elas a Nespresso Brasil — marca de café expresso da Nestlé.
Engenheiro agrônomo, Montanari afirma ter testado há 15 anos métodos de enriquecimento e restauração do solo dentro de uma prática que hoje é conhecida como agricultura regenerativa. “Desde 2010, a gente começou a ter muita frustração e desespero por causa do clima. A nossa empresa [fazenda] é uma fábrica a céu aberto”, afirma o produtor da Fazenda Rainha da Paz.
Desde 2023 o produtor conta com o apoio técnico e financeiro da Nespresso para ampliar sua pesquisa em agricultura regenerativa. Hoje, 99% da área produtiva da fazenda é regenerativa. A restante é tradicional para fins comparativos.
“A gente está tendo várias estações do ano em pouco tempo. Mas quando adotamos práticas regenerativas, mitigamos a questão do clima. A ideia é melhorar o solo, o sistema radicular das plantas e trazer biodiversidade para ter raízes mais saudáveis”, explica o engenheiro agrônomo.

Maior produtividade
Em três anos, a Fazenda Rainha da Paz registrou um aumento de 9% na produtividade, o que representa um incremento de R$ 4.092 por hectare de lucro. Além do ganho financeiro, Montanari diz que a agricultura regenerativa também tem potencial para reduzir a emissão de efeito estufa, ao contribuir para o crescimento natural da plantação.
Segundo Daniel Motyl, gerente de café verde da Nespresso Brasil, a empresa investiu R$ 5,4 milhões em 130 fazendas desde 2024 dentro do Programa AAA, voltado à agricultura regenerativa. “Temos 22 consultores que visitam os projetos de duas a quatro vezes por ano e levam conhecimento. Eles coletam os dados, criam indicadores regenerativos e monitoram a evolução da produção.”
A estratégia foi bem traçada: com fornecedores melhores, Nespresso tem grãos de mais qualidade. “É um ganha-ganha. Nossa meta é chegar a net zero [zero emissões líquidas] até 2050. Estamos de olho no produtor e nos nossos objetivos sustentáveis”, diz Motyl.
O próximo desafio da Fazenda Rainha da Paz já está dado: testar o uso de fungos para enriquecimento do solo no Cerrado mineiro. Os fãs de café agradecem. (Com informações da Época Negócios)
