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O Portal do Agro > Blog > Açaí > Robotização do açaí revoluciona produção no Pará, diz diretor da Faepa
AçaíAgricultura FamiliarAgronegócio

Robotização do açaí revoluciona produção no Pará, diz diretor da Faepa

Redação
Última atualização: 16 de março de 2026 21:27
Redação
3 semanas atrás
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Guilherme Minssen, diretor da Faepa, durante entrevista ao Grupo Liberal (Foto: reprodução/Thiago Gomes/ O Liberal).
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A introdução de robôs na colheita do açaí pode representar um marco na modernização da cadeia produtiva do fruto no Pará, segundo o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Guilherme Minssen. Em entrevista ao Grupo Liberal, ele afirmou que a tecnologia surge como resposta à crescente demanda pelo açaí no mercado global e à dificuldade de colheita nas palmeiras altas, que muitas vezes impede o aproveitamento de grande parte da produção disponível nas áreas de floresta.

Contents
  • floresta
    • Como a Faepa avalia o impacto da tecnologia robótica na rotina dos produtores e trabalhadores rurais?
    • Qual a importância de robôs para a modernização da cadeia produtiva de açaí no Pará?
    • Como a Faepa avalia o impacto da tecnologia robótica na rotina dos produtores e trabalhadores rurais?
    • Qual a importância de robôs para a modernização da cadeia produtiva de açaí no Pará?
    • Como a Faepa avalia o impacto da tecnologia robótica na rotina dos produtores e trabalhadores rurais?
    • Esse projeto pode abrir caminho para novos investimentos em tecnologia e inovação no agro paraense?
    • De que forma a Faepa e o Senar estão preparando os produtores para lidar com tecnologias cada vez mais avançadas no campo? 
    • A robótica agrícola pode se tornar um novo segmento econômico relevante para o Pará?
      • Intacto
      • Na visão da Faepa, qual é o próximo passo para ampliar o uso de tecnologias como essa no agronegócio do estado?

De acordo com Minssen, o robô apanhador de açaí foi desenvolvido para solucionar um dos principais gargalos da atividade: a coleta dos cachos em árvores que podem chegar a mais de 30 metros de altura. A máquina consegue subir e descer em menos de um minuto já com o cacho colhido, ampliando o acesso a áreas onde a colheita tradicional é difícil e arriscada para os trabalhadores, conhecidos como peconheiros. A tecnologia também busca reduzir acidentes e permitir maior aproveitamento da produção, especialmente em regiões ricas em açaizais, como o arquipélago do Marajó.

Para a Faepa, a robotização pode inaugurar um “antes e depois” na produção do fruto, beneficiando principalmente pequenos produtores e ribeirinhos. Segundo o diretor, além de aumentar a produtividade e reduzir perdas, o projeto também abre caminho para novos investimentos em inovação no agronegócio paraense, com iniciativas que incluem o desenvolvimento de genética mais produtiva, novos derivados do fruto e outras tecnologias voltadas à cadeia do açaí.

Guilherme Minssen: São fundamentais. A cadeia do açaí para nós representa não só financeiramente, mas principalmente como uma expansão da agricultura – uma das mais fortes de todas as tendências que nós temos de produzir, entregar mais e melhor em menos tempo. Estamos produzindo muito açaí. O açaí virou um fruto hoje que é mundial. Ele expandiu muito rápido. A aceitação do açaí é algo, assim, impressionante.
Então, começamos a produzir, mas falta produto. Falta o açaí. A gente tem falta de açaí até dentro de Belém em alguns períodos do ano.  Fora da safra, a gente tem dificuldade de fornecer ao mercado local.  Imagine isso tudo num mercado mundial que está cada vez mais produzindo e há a necessidade de outros produtos, sorvetes e vários produtos que levam o açaí. Então, tínhamos que mudar a nossa produção.

Tínhamos que desenvolver esse produto em si, o robô. Ele veio pra sanar o problema da colheita, que é um problema muito sério porque o açaí não dá no chão. Ele dá no alto. Ele dá em palmeiras muito esguias e ela tem dificuldades em apanhar. A gente não apanha todo o açaí que tem na floresta.

floresta

Nosso Marajó é riquíssimo em açaí. Quando eu falo Marajó, o arquipélago marajoara, todas as ilhas que estão em volta aqui de Belém. As ilhas produzem bastante. Vale muito dinheiro e não conseguimos colher nem 90%. Esse produto lá na floresta. Fica lá no mato. Fica pra você não ter utilização. Então, temos que ir lá buscar.
Foi então desenvolvido um robô, uma máquina. Em menos de um minuto, ela sobe e desce com o cacho já apanhado, podendo facilitar aquelas estirpes do açaizeiro onde não tínhamos alcance, aquelas que eram muito finas, muito longas, aquelas que tinham alguma broca que quebram. Tínhamos também a questão de acidentes – acidentes que podem acontecer com o que a gente chama de peconheiro, a pessoa que apanha o açaí. Visto isso, houve um trabalho muito grande de pesquisa antes ainda da COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas).
É um trabalho que precisamos desenvolver de forte para desenvolver uma solução para esse mercado. O trabalho desembocou no robô. O robô, para nós, foi fundamental. 

Como a Faepa avalia o impacto da tecnologia robótica na rotina dos produtores e trabalhadores rurais?

A Faepa avalia como o principal momento que vamos viver em em toda uma evolução da colheita do açaí. Há muito tempo já se consome açaí. É um produto indígena que se alimenta muito nas fazendas, no interior de uma propriedade. Ele chega de forma ainda muito rudimentar às nossas feiras, à feira do Ver-O-Peso. Em todo município do interior, temos uma feira forte de açaí. 
Esse produto muda. Hoje temos a certeza que estamos vivendo um marco – antes e depois da robotização. A produção de açaí agora pode ser verticalizada. Eu não vou citar outras produções, mas imagina se não tivéssemos uma máquina para colher soja num país que produz e depende de tanta soja no Brasil.  Imagina se nós ainda fôssemos viver naquela época? Nós que somos tão dependentes, não só economicamente, mas dependentes de vários produtos que saem dessa oleaginosa soja.
A mesma coisa do açaí, a mesma coisa dos outros produtos. Temos que evoluir a tecnologia.A tecnologia é toda ela nacional. A tecnologia é toda montada aqui em Icoaraci dentro de Belém. Alguns técnicos vieram de fora para desenvolver algumas peças que precisamos dentro do robô que vai apanhar o açaí. Ele tem um número bastante grande de peças, mas é um produto que a gente pode dizer que é do Pará.

Robotização agrícola para colher açaí é um marco na produção do fruto no Pará, diz diretor da Faepa
Em entrevista, Guilherme Minssen afirma que tecnologia desenvolvida no estado deve ampliar a produtividade, reduzir riscos na colheita e abrir caminho para novos investimentos na cadeia do açaí, com impacto direto para produtores e ribeirinhos

A introdução de robôs na colheita do açaí pode representar um marco na modernização da cadeia produtiva do fruto no Pará, segundo o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Guilherme Minssen. Em entrevista ao Grupo Liberal, ele afirmou que a tecnologia surge como resposta à crescente demanda pelo açaí no mercado global e à dificuldade de colheita nas palmeiras altas, que muitas vezes impede o aproveitamento de grande parte da produção disponível nas áreas de floresta.
De acordo com Minssen, o robô apanhador de açaí foi desenvolvido para solucionar um dos principais gargalos da atividade: a coleta dos cachos em árvores que podem chegar a mais de 30 metros de altura. A máquina consegue subir e descer em menos de um minuto já com o cacho colhido, ampliando o acesso a áreas onde a colheita tradicional é difícil e arriscada para os trabalhadores, conhecidos como peconheiros. A tecnologia também busca reduzir acidentes e permitir maior aproveitamento da produção, especialmente em regiões ricas em açaizais, como o arquipélago do Marajó.

Para a Faepa, a robotização pode inaugurar um “antes e depois” na produção do fruto, beneficiando principalmente pequenos produtores e ribeirinhos. Segundo o diretor, além de aumentar a produtividade e reduzir perdas, o projeto também abre caminho para novos investimentos em inovação no agronegócio paraense, com iniciativas que incluem o desenvolvimento de genética mais produtiva, novos derivados do fruto e outras tecnologias voltadas à cadeia do açaí.

Qual a importância de robôs para a modernização da cadeia produtiva de açaí no Pará?

Guilherme Minssen: São fundamentais. A cadeia do açaí para nós representa não só financeiramente, mas principalmente como uma expansão da agricultura – uma das mais fortes de todas as tendências que nós temos de produzir, entregar mais e melhor em menos tempo. Estamos produzindo muito açaí. O açaí virou um fruto hoje que é mundial. Ele expandiu muito rápido. A aceitação do açaí é algo, assim, impressionante.
Então, começamos a produzir, mas falta produto. Falta o açaí. A gente tem falta de açaí até dentro de Belém em alguns períodos do ano.  Fora da safra, a gente tem dificuldade de fornecer ao mercado local.  Imagine isso tudo num mercado mundial que está cada vez mais produzindo e há a necessidade de outros produtos, sorvetes e vários produtos que levam o açaí. Então, tínhamos que mudar a nossa produção.
Tínhamos que desenvolver esse produto em si, o robô. Ele veio pra sanar o problema da colheita, que é um problema muito sério porque o açaí não dá no chão. Ele dá no alto. Ele dá em palmeiras muito esguias e ela tem dificuldades em apanhar. A gente não apanha todo o açaí que tem na floresta.
Nosso Marajó é riquíssimo em açaí. Quando eu falo Marajó, o arquipélago marajoara, todas as ilhas que estão em volta aqui de Belém. As ilhas produzem bastante. Vale muito dinheiro e não conseguimos colher nem 90%. Esse produto lá na floresta. Fica lá no mato. Fica pra você não ter utilização. Então, temos que ir lá buscar.
Foi então desenvolvido um robô, uma máquina. Em menos de um minuto, ela sobe e desce com o cacho já apanhado, podendo facilitar aquelas estirpes do açaizeiro onde não tínhamos alcance, aquelas que eram muito finas, muito longas, aquelas que tinham alguma broca que quebram. Tínhamos também a questão de acidentes – acidentes que podem acontecer com o que a gente chama de peconheiro, a pessoa que apanha o açaí. Visto isso, houve um trabalho muito grande de pesquisa antes ainda da COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas).
É um trabalho que precisamos desenvolver de forte para desenvolver uma solução para esse mercado. O trabalho desembocou no robô. O robô, para nós, foi fundamental. 

Como a Faepa avalia o impacto da tecnologia robótica na rotina dos produtores e trabalhadores rurais?

A Faepa avalia como o principal momento que vamos viver em em toda uma evolução da colheita do açaí. Há muito tempo já se consome açaí. É um produto indígena que se alimenta muito nas fazendas, no interior de uma propriedade. Ele chega de forma ainda muito rudimentar às nossas feiras, à feira do Ver-O-Peso. Em todo município do interior, temos uma feira forte de açaí. 

Esse produto muda. Hoje temos a certeza que estamos vivendo um marco – antes e depois da robotização. A produção de açaí agora pode ser verticalizada. Eu não vou citar outras produções, mas imagina se não tivéssemos uma máquina para colher soja num país que produz e depende de tanta soja no Brasil.  Imagina se nós ainda fôssemos viver naquela época? Nós que somos tão dependentes, não só economicamente, mas dependentes de vários produtos que saem dessa oleaginosa soja.
A mesma coisa do açaí, a mesma coisa dos outros produtos. Temos que evoluir a tecnologia.A tecnologia é toda ela nacional. A tecnologia é toda montada aqui em Icoaraci dentro de Belém. Alguns técnicos vieram de fora para desenvolver algumas peças que precisamos dentro do robô que vai apanhar o açaí. Ele tem um número bastante grande de peças, mas é um produto que a gente pode dizer que é do Pará.
É um dos produtos mais importantes que temos para fornecer para o nosso produtor. É difícil ver sua safra ficar porque não pôde colher. Não adianta você só colher. Você tem que trazer esse cacho e debulhar (separar) ele. Então, esse produtor vai ser o grande beneficiado. O nosso ribeirinho é o grande beneficiado. A Faepa tá vivendo isso no dia a dia junto com toda a equipe de trabalho para poder levar isso ao nosso homem do campo. 
Porque não adianta você ter tecnologia e ela ficar na gaveta. Temos muita tecnologia descoberta, mas ela ainda não está dentro da indústria.  Conseguimos levar a tecnologia para a indústria, a indústria apostar nela, a indústria realizar a tecnologia e entregar um produto, que é o robô apanhador de açaí. 
O principal beneficiário dessa tecnologia é o produtor rural. É ele quem estará lá na ponta – aquele ribeirinho que nunca teve a chance de produzir mais. Ele até sabe onde tem açaí. Ele sabe onde tem outra palmeira. Ele sabe onde poderia produzir mais. A pessoa que hoje tiver hoje a capacitação para manusear o robô será bem simples de fazer. 

A gente tem orgulho muito grande de dizer que o robô foi desenvolvido aqui no Pará. Ele é não só paraense, mas é feito como um resultado para aqueles nossos problemas. 

Robotização agrícola para colher açaí é um marco na produção do fruto no Pará, diz diretor da Faepa
Em entrevista, Guilherme Minssen afirma que tecnologia desenvolvida no estado deve ampliar a produtividade, reduzir riscos na colheita e abrir caminho para novos investimentos na cadeia do açaí, com impacto direto para produtores e ribeirinhos.

A introdução de robôs na colheita do açaí pode representar um marco na modernização da cadeia produtiva do fruto no Pará, segundo o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Guilherme Minssen. Em entrevista ao Grupo Liberal, ele afirmou que a tecnologia surge como resposta à crescente demanda pelo açaí no mercado global e à dificuldade de colheita nas palmeiras altas, que muitas vezes impede o aproveitamento de grande parte da produção disponível nas áreas de floresta.

De acordo com Minssen, o robô apanhador de açaí foi desenvolvido para solucionar um dos principais gargalos da atividade: a coleta dos cachos em árvores que podem chegar a mais de 30 metros de altura. A máquina consegue subir e descer em menos de um minuto já com o cacho colhido, ampliando o acesso a áreas onde a colheita tradicional é difícil e arriscada para os trabalhadores, conhecidos como peconheiros. A tecnologia também busca reduzir acidentes e permitir maior aproveitamento da produção, especialmente em regiões ricas em açaizais, como o arquipélago do Marajó.

Para a Faepa, a robotização pode inaugurar um “antes e depois” na produção do fruto, beneficiando principalmente pequenos produtores e ribeirinhos. Segundo o diretor, além de aumentar a produtividade e reduzir perdas, o projeto também abre caminho para novos investimentos em inovação no agronegócio paraense, com iniciativas que incluem o desenvolvimento de genética mais produtiva, novos derivados do fruto e outras tecnologias voltadas à cadeia do açaí.

Qual a importância de robôs para a modernização da cadeia produtiva de açaí no Pará?

Guilherme Minssen: São fundamentais. A cadeia do açaí para nós representa não só financeiramente, mas principalmente como uma expansão da agricultura – uma das mais fortes de todas as tendências que nós temos de produzir, entregar mais e melhor em menos tempo. Estamos produzindo muito açaí. O açaí virou um fruto hoje que é mundial. Ele expandiu muito rápido. A aceitação do açaí é algo, assim, impressionante.
Então, começamos a produzir, mas falta produto. Falta o açaí. A gente tem falta de açaí até dentro de Belém em alguns períodos do ano.  Fora da safra, a gente tem dificuldade de fornecer ao mercado local.  Imagine isso tudo num mercado mundial que está cada vez mais produzindo e há a necessidade de outros produtos, sorvetes e vários produtos que levam o açaí. Então, tínhamos que mudar a nossa produção.
Tínhamos que desenvolver esse produto em si, o robô. Ele veio pra sanar o problema da colheita, que é um problema muito sério porque o açaí não dá no chão. Ele dá no alto. Ele dá em palmeiras muito esguias e ela tem dificuldades em apanhar. A gente não apanha todo o açaí que tem na floresta.
Nosso Marajó é riquíssimo em açaí. Quando eu falo Marajó, o arquipélago marajoara, todas as ilhas que estão em volta aqui de Belém. As ilhas produzem bastante. Vale muito dinheiro e não conseguimos colher nem 90%. Esse produto lá na floresta. Fica lá no mato. Fica pra você não ter utilização. Então, temos que ir lá buscar.
Foi então desenvolvido um robô, uma máquina. Em menos de um minuto, ela sobe e desce com o cacho já apanhado, podendo facilitar aquelas estirpes do açaizeiro onde não tínhamos alcance, aquelas que eram muito finas, muito longas, aquelas que tinham alguma broca que quebram. Tínhamos também a questão de acidentes – acidentes que podem acontecer com o que a gente chama de peconheiro, a pessoa que apanha o açaí. Visto isso, houve um trabalho muito grande de pesquisa antes ainda da COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas).
É um trabalho que precisamos desenvolver de forte para desenvolver uma solução para esse mercado. O trabalho desembocou no robô. O robô, para nós, foi fundamental. 

Como a Faepa avalia o impacto da tecnologia robótica na rotina dos produtores e trabalhadores rurais?

A Faepa avalia como o principal momento que vamos viver em em toda uma evolução da colheita do açaí. Há muito tempo já se consome açaí. É um produto indígena que se alimenta muito nas fazendas, no interior de uma propriedade. Ele chega de forma ainda muito rudimentar às nossas feiras, à feira do Ver-O-Peso. Em todo município do interior, temos uma feira forte de açaí. 
Esse produto muda. Hoje temos a certeza que estamos vivendo um marco – antes e depois da robotização. A produção de açaí agora pode ser verticalizada. Eu não vou citar outras produções, mas imagina se não tivéssemos uma máquina para colher soja num país que produz e depende de tanta soja no Brasil.  Imagina se nós ainda fôssemos viver naquela época? Nós que somos tão dependentes, não só economicamente, mas dependentes de vários produtos que saem dessa oleaginosa soja.
A mesma coisa do açaí, a mesma coisa dos outros produtos. Temos que evoluir a tecnologia.A tecnologia é toda ela nacional. A tecnologia é toda montada aqui em Icoaraci dentro de Belém. Alguns técnicos vieram de fora para desenvolver algumas peças que precisamos dentro do robô que vai apanhar o açaí. Ele tem um número bastante grande de peças, mas é um produto que a gente pode dizer que é do Pará.
É um dos produtos mais importantes que temos para fornecer para o nosso produtor. É difícil ver sua safra ficar porque não pôde colher. Não adianta você só colher. Você tem que trazer esse cacho e debulhar (separar) ele. Então, esse produtor vai ser o grande beneficiado. O nosso ribeirinho é o grande beneficiado. A Faepa tá vivendo isso no dia a dia junto com toda a equipe de trabalho para poder levar isso ao nosso homem do campo. 
Porque não adianta você ter tecnologia e ela ficar na gaveta. Temos muita tecnologia descoberta, mas ela ainda não está dentro da indústria.  Conseguimos levar a tecnologia para a indústria, a indústria apostar nela, a indústria realizar a tecnologia e entregar um produto, que é o robô apanhador de açaí. 
O principal beneficiário dessa tecnologia é o produtor rural. É ele quem estará lá na ponta – aquele ribeirinho que nunca teve a chance de produzir mais. Ele até sabe onde tem açaí. Ele sabe onde tem outra palmeira. Ele sabe onde poderia produzir mais. A pessoa que hoje tiver hoje a capacitação para manusear o robô será bem simples de fazer. 
A gente tem orgulho muito grande de dizer que o robô foi desenvolvido aqui no Pará. Ele é não só paraense, mas é feito como um resultado para aqueles nossos problemas. 

Esse projeto pode abrir caminho para novos investimentos em tecnologia e inovação no agro paraense?

Já abriu. A empresa Kaa, que tem uma parceria muito grande aqui, junto com a Faepa, já tem cinco empresas. Uma delas é a produtora do robô, mas ela vai ter novidades extraordinárias para nós. Em breve você verá o açaí em pó. Estamos produzindo genética também, mudas mais produtivas, mais precoces e principalmente trazendo mais resultados. Então, temos uma gama de soluções.
A empresa Kaa Açaí não é só uma produtora de robôs. O robô talvez seja o nosso menino propaganda, até porque ele realmente é excepcional. Ele é uma invenção que muda a economia do nosso Estado, mas junto com ele vem muita coisa boa aí. A gente sabe que o Pará não é só apaixonado por açaí, como depende da nutrição do açaí.

De que forma a Faepa e o Senar estão preparando os produtores para lidar com tecnologias cada vez mais avançadas no campo? 

Capacitação. Temos que trazer o nosso produtor não só para mostrar a tecnologia para ele, mas também temos que capacitar ele para usar essa tecnologia. Temos que levar para ele a informação. Temos que levar para ele o técnico. Esse técnico é financiado pelo próprio produtor. 
É o produtor quem sustenta o CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), a Faepa e principalmente o trabalho desse técnico que vai estar lá junto com ele, vai tomar o cafezinho, vai comer o açaí junto com ele lá e vai dizer “olha, aqui você pode produzir muito mais com esses produtos que nós já temos.” A Faepa não só é parceira, mas está assinando junto com a empresa, junto com a Kaa essa evolução e por isso está festejando.

A robótica agrícola pode se tornar um novo segmento econômico relevante para o Pará?

A robótica é o momento. A robótica em todo o agronegócio, tanto animal como vegetal, é a saída e a resposta para vários problemas que temos. A robótica traz hoje para nós umas novidades estratégicas, principalmente quando a gente produz mais e melhor em menos área, menos tempo com o ambiente equilibrado. A robótica pode hoje viabilizar não só a produção, mas deixar o ambiente intacto.

Intacto

Nós não precisamos desmatar. Nós não precisamos criar outra coisa, senão incluir essa robótica lá dentro, desde a leitura lá em cima – porque vamos ter drones lendo a mata, mostrando para nós onde estão os açaizeiros – mas como também retornando com eles, com aquela população que mora lá dentro e precisava tanto desse apoio. 

Na visão da Faepa, qual é o próximo passo para ampliar o uso de tecnologias como essa no agronegócio do estado?

O trabalho junto aos nossos sindicatos rurais, que é a nossa célula, que fica lá no interior. Temos dez núcleos. Núcleos bastante diferentes de produção e temos que levar essa informação ao homem do campo. O homem do campo está ávido em produzir com mais qualidade. Ele está ávido em ter respostas técnicas. Ele está muito contente em poder contar pela primeira vez com a tecnologia robótica.
Imaginem um produtor robô – não importa se da terceira, quarta, quinta geração – e o produtor nunca teve um robô para apanhar para ele.  Ele sempre teve atitudes muito mais rudimentares. Eu não vou citar aqui todos os problemas rudimentares para colher um cacho de açaí. Mas quem já produziu ou já viu a colheita de um açaí a 35, 40 metros de altura sabe da dificuldade de se apanhar.
O Pará está fazendo um momento muito importante e dentro deste momento estamos todos acompanhando passo a passo. A indústria paraense, a Federação da Agricultura, todos os sindicatos e os produtores rurais. Talvez seja dentro da fruticultura paraense o principal passo dos últimos tempos que vai ser definitivo para podermos trazer bem-estar para o produtor rural.
(Com informações de O Liberal)

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