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Leite deve ficar mais caro em 2026 e explicação começa no campo

Redação
Última atualização: 21 de maio de 2026 21:48
Redação
2 meses atrás
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Custos de produção da pecuária leiteira aumentaram com a guerra no Oriente Médio, além de frete e energia mais caros; indústria também disputa matéria-prima (Foto: reprodução/CNN Agro).
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Em maio, o leite longa vida liderou a pressão inflacionária entre os alimentos, segundo o IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10), da Fundação Getulio Vargas, divulgado na última segunda-feira (18). O produto registrou alta de 13,85% em relação a abril. Nas prateleiras do varejo e do atacado, o consumidor já sente o avanço dos preços, movimento que também aparece na inflação oficial do país, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Depois de estabilidade em janeiro, as cotações do leite subiram cerca de 11% de fevereiro para março e avançaram quase 14% em abril, colocando o produto entre os itens que mais pressionaram a inflação dos alimentos no período.

A tendência é que o leite continue encarecendo nos próximos meses, principalmente pela sazonalidade, pelos custos operacionais e pelas previsões climáticas. Com o outono-inverno, a qualidade das pastagens piora e isso diminui a produção leiteira naturalmente no país, em especial nas bacias leiteiras do Paraná, Minas Gerais e Goiás. Se os efeitos do El Niño se intensificarem nos próximos meses, a situação do pasto se agrava mais, como explicam produtores e associações do setor.

Os custos da pecuária leiteira também vem aumentando, mesmo com o valor pago ao produtor sendo melhor do que 2025. O preço médio do leite pago ao produtor no Brasil subiu 10,5% em março, na comparação com fevereiro, e atingiu R$ 2,3924 por litro na média nacional, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Apesar da terceira alta consecutiva, o ritmo de valorização perdeu força diante das perspectivas de recuperação da produção nos próximos meses.

Se, de um lado, o pecuarista está ganhando mais pela matéria-prima, do outro ele não compensa sua margem, porque gasta mais com insumos. A ração também ficou mais cara com a guerra no Oriente Médio, além dos fertilizantes, da energia e do diesel que move parte da operação mecanizada de centenas de propriedades leiteiras do Brasil. Isso fez com que o produtor travasse ainda mais seus investimentos.

“Mesmo com a recuperação observada no preço do leite, os produtores ainda demonstram resistência em investir em alimentação, quadro que pode mudar caso o preço do leite se mantenha firme ou volte a subir nos próximos meses”, informou o relatório mensal do Cepea. A postura dos pecuaristas pode influenciar, ainda, o preço dos suplementos minerais e proteicos utilizados na cadeia dos lácteos.

O avanço das cotações foi impulsionado pela disputa mais intensa entre laticínios pela matéria-prima, em um cenário de oferta restrita. O Índice de Captação Leiteira do Cepea (ICAP-L) caiu 3,9% em março na média Brasil e acumulou retração de 11,1% no primeiro trimestre de 2026. Entre os fatores que explicam a menor oferta estão a sazonalidade da produção e a redução dos investimentos na atividade.

Ao mesmo tempo, os custos de produção seguem pressionando o pecuarista leiteiro. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,46% em março e acumula alta de 2,11% no trimestre, conforme pesquisa do Cepea em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

No mercado de derivados, os preços também registraram alta. O leite UHT subiu 18,3% no período analisado, enquanto a muçarela teve valorização de 6,1%, refletindo o repasse da matéria-prima mais cara ao consumidor final. Manteiga, iogurtes e suplementos para dietas proteicas à base de leite também subiram nas gôndolas.

A explicação para uma alta tão rápida é que a indústria tem disputado a matéria-prima e ao pagar mais por ela repassa imediatamente o custo do alimento perecível, diferente do que acontece com alimentos como o café, que levam cerca de 60 dias para ter alteração de preços nos supermercados.

Outro problema é o da captação fraca por parte dos laticínios. Com falta de investimentos, após o chamado “ciclo do leite” em 2025 – ano em que o Brasil conviveu com muita oferta e consequente desestimulo do pecuarista -, laticínios não estão conseguindo coletar grandes volumes de leite para processar o leite cru ao consumo, ou transformá-lo em derivados. O cenário leva à importação do produto.

Mesmo com o cenário de preços firmes no mercado interno, as importações de lácteos avançaram em março. O volume importado cresceu 33% e totalizou 604 milhões de litros em equivalente leite. A expectativa do setor, porém, é de desaceleração nas altas a partir de maio.

Segundo o Cepea, a resistência do consumidor aos preços elevados no varejo e uma possível recuperação da produção entre maio e junho podem reduzir a pressão sobre os preços pagos ao produtor nos próximos meses.

(Com informações da CNN Agro)

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