Pequenos produtores rurais da Amazônia Legal terão acesso a uma nova linha de financiamento, focada em cadeias produtivas sustentáveis. O Fundo Rural+Verde, anunciado em maio passado, entra em fase de aceleração de capital, neste mês de julho, com meta de obter 25 milhões de dólares (cerca de 130 milhões de reais, na cotação atual) para ampliar o crédito e incentivar a industrialização. A iniciativa é da Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS), Banco da Amazônia e Global Citizen.
O fundo financiará projetos na Amazônia, facilitando o acesso ao crédito para pequenos produtores que encontram dificuldades no sistema financeiro tradicional. Inicialmente, o Banco da Amazônia aportará US$ 2 milhões (o equivalente a cerca de R$ 10 milhões), e a FAIS, com a Global Citizen, buscará novos investidores para o fundo.
Para Luiz Lessa, presidente do Banco da Amazônia, a iniciativa promove o desenvolvimento sustentável da região.
Ao ancorar esse fundo, damos um passo decisivo para conectar pequenos produtores a uma nova lógica de financiamento, que reconhece a floresta em pé como ativo econômico e coloca a Amazônia no centro das soluções globais para o clima e a produção de alimentos”, ele explica.
Marcelo Thomé, presidente do Instituto Amazônia+21 (IAMZ+21), destaca a estruturação de um mecanismo que conecta capital a soluções na Amazônia. “O desafio não é a falta de projetos, mas a ausência de instrumentos que permitam financiá-los com escala, coordenação e segurança. A Amazônia produz riqueza há séculos, mas continua exportando valor e importando pobreza. O fundo nasce para enfrentar essa desconexão, começando por quem mais precisa: o pequeno produtor”, afirma Thomé.
A iniciativa associa-se ao programa Rural+Verde, criado pelo IAMZ+21. Ele busca superar a dificuldade de transformar projetos socioambientais em ativos estruturados e financiáveis. A proposta visa ampliar o acesso ao crédito para produtores rurais, impulsionando a bioeconomia e a industrialização sustentável na Amazônia.
A agricultura familiar é responsável por cerca de 74% dos empregos rurais na Amazônia Legal. Contudo, levantamentos recentes mostram que apenas 3% desses agricultores tiveram acesso a crédito subsidiado. Thomé complementa que, ao estruturar ativos sustentáveis e conectá-los ao capital, o fundo fortalece seu papel como plataforma de originação de investimentos com potencial de escala.
(Com informações de O Liberal)