O tomate voltou a surpreender a inflação em outubro. O preço do produto subiu 24,54% no IPCA-15, divulgado nesta sexta-feira (23) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), depois de ter disparado 37,76% no IPCA de setembro. A sequência de altas reforça o comportamento atípico do alimento em 2026, ano em que sua trajetória de preços contrariou o padrão histórico.
Tradicionalmente, os preços do tomate tendem a recuar no segundo semestre, com a entrada da safra de inverno e a melhora das condições de oferta. Neste ano, porém, a combinação de fatores climáticos e redução da área plantada contribuiu para manter a pressão sobre os preços.
Embora o fruto tenha uma peso pequeno na inflação geral – entre 0,2% e 0,35% -,nos últimos 12 meses apareceu em praticamente todos os relatórios mensais do IPCA.
Especialista no mercado de hortifrutis, João Paulo Deleo, pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), conta que a volatilidade é uma característica dessa cultura. Porém, o comportamento de 2026 fugiu da curva tradicional.
A volatilidade se dá em função de fatores como área cultivada, calendário de plantio e produtividade. A colheita este ano tem variado muito principalmente em função do clima. Com as temperaturas mais baixas, a maturação fica bastante retraída. Quando as temperaturas sobem, a maturação acelera e a oferta aumenta pressionando os preços. Todos esses fatores explicam as oscilações mais fortes ao longo deste ano”, destaca Deleo.
(Com informações da CNN Agro)