Quando falamos em drones, já não estamos falando de uma tecnologia do futuro. Estamos falando de uma realidade presente no campo, nas cidades, nas empresas, na segurança, na infraestrutura e na defesa. Uma realidade que cresce rapidamente e que coloca diante do Brasil uma escolha importante: podemos simplesmente acompanhar esse movimento ou podemos criar as condições para sermos protagonistas. Eu defendo a segunda opção.
Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Segundo dados divulgados no Anuário ABDRONE 2026, o Brasil alcançou, em fevereiro deste ano, a marca de 133 mil drones registrados no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (SISANT), da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). É uma evolução impressionante. Em 2017, quando entrou em vigor a regulamentação que estruturou o cadastro e as operações civis no país, eram aproximadamente 16,5 mil aeronaves. Em 2022, já eram 93.729 registros. Entre 2024 e 2025, os cadastros continuaram crescendo acima de 20% ao ano, enquanto os pedidos de autorização de voo avançaram mais de 25%.
Isso significa que estamos comprando mais drones e também estamos usando mais drones e incorporando essa tecnologia à economia brasileira. E é exatamente aí que precisamos prestar atenção.
Muito além das imagens aéreas
Durante muito tempo, quando se falava em drones, muita gente pensava apenas em equipamentos recreativos ou câmeras voadoras. Essa realidade mudou.
Já em 2022, aproximadamente 44% dos equipamentos registrados eram destinados ao uso profissional. Hoje, drones são empregados em agricultura de precisão, pulverização, inspeção de redes elétricas, monitoramento ambiental, mapeamento, infraestrutura, segurança pública, defesa, produção audiovisual e inúmeras outras atividades.
No agronegócio, essa transformação é especialmente evidente. Estimativas do Ministério da Agricultura apontam para cerca de 35 mil equipamentos em operação no campo, e dados do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola indicam crescimento médio de aproximadamente 30% ao ano nas vendas.
A expectativa é que, até 2030, esse mercado movimente bilhões de dólares no Brasil.
Isso faz sentido. Um país com a dimensão territorial do nosso, uma das maiores agriculturas do planeta, uma indústria aeronáutica reconhecida internacionalmente, centros de pesquisa de excelência e profissionais altamente capacitados tem todas as condições de desenvolver uma cadeia econômica extremamente competitiva em torno dessa tecnologia.
Da agricultura à defesa
Também precisamos compreender o caráter estratégico dessa tecnologia.
Os conflitos recentes demonstraram de maneira muito clara a importância crescente dos sistemas remotamente pilotados e autônomos para a defesa. Ao mesmo tempo, as aplicações civis avançam rapidamente.
Agricultura, logística, inspeções, energia, mineração, infraestrutura, segurança, meio ambiente, resposta a desastres e telecomunicações são apenas alguns exemplos. Com inteligência artificial, conectividade 5G, novos sensores e sistemas autônomos, as possibilidades aumentam ainda mais. Isso transforma a discussão sobre drones também em uma questão de soberania tecnológica.
Quanto dessa tecnologia queremos dominar? Quanto queremos produzir no Brasil? Quantas empresas brasileiras queremos ver participando desse mercado? Quantos engenheiros, técnicos, programadores, pilotos, pesquisadores e empreendedores podemos empregar nessa nova economia?
Essas são perguntas que uma política nacional precisa responder.
O próximo passo
As audiências públicas são o começo dessa construção.
Minha intenção é avançar nas discussões e reuniões técnicas necessárias para estruturarmos uma legislação moderna, aplicável e eficiente para os drones no Brasil. E quero ir além. No próximo ano, pretendo trabalhar pela criação de uma frente parlamentar voltada ao desenvolvimento, à indústria e às operações de drones, reunindo parlamentares e diferentes setores interessados em fortalecer permanentemente essa agenda no Congresso Nacional.
O objetivo não é criar burocracia para uma tecnologia que já está avançando. É exatamente o contrário. Precisamos retirar entraves, organizar o ambiente regulatório, garantir segurança e permitir que o setor cresça.
O mundo não vai esperar o Brasil decidir se gosta ou não dessa tecnologia. A transformação já está acontecendo. Temos território, agricultura, indústria aeronáutica, universidades, centros de pesquisa, empreendedores e profissionais capazes de colocar o país entre os protagonistas mundiais desse setor. Agora precisamos construir as condições para isso.
Não devemos ter medo da tecnologia. Precisamos compreendê-la, desenvolvê-la e utilizá-la com responsabilidade.
(Com informações do IG Agro)