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O Portal do Agro > Blog > Agronegócio > Produtores de chocolate se reinventam para evitar novo choque de custos
Agronegócio

Produtores de chocolate se reinventam para evitar novo choque de custos

Redação
Última atualização: 20 de agosto de 2026 20:51
Redação
2 meses atrás
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Arcelia Gallardo, da Mission Chocolate: “Onde não tinha cacau, agora tem” (Foto: reprodução/Globo Rural).
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A empresária Arcelia Gallardo, proprietária da marca Mission Chocolate, acredita que os eventuais impactos do El Niño sobre a produção de cacau não devem ter como consequência um forte aumento dos preços da matéria-prima, como o que ocorreu quase dois anos atrás. Para ela, as novas áreas de cultivo de cacau devem ser um contraponto às questões climáticas.

No Equador, os produtores plantaram milhares de pés de cacau há quatro anos porque eles estavam entendendo o que iria acontecer. Por causa dos efeitos do clima, agora temos cacau também em São Paulo”, disse. “Onde antes não tinha cacau, agora tem”.

Arcelia Gallardo, uma filha de agricultores mexicanos que nasceu no Estado americano da Califórnia, trabalha com produção “bean-to-bar” — ou, em outras palavras, a chocolatier compra cacau para produzir barras de chocolate (a fábrica da marca fica em São Paulo). Com o aumento vertiginoso dos preços do cacau no fim de 2024, a Mission alterou fórmulas e lançou versões menores de seus produtos, estratégia adotada para absorver o aumento dos custos.

“Mas fizemos isso sem interferir na qualidade do produto”, afirma. “Conseguimos pensar em outros produtos que poderíamos fazer, como confeitos banhados em chocolate, que deram muito certo”.

Com isso, diz ela, foi possível não repassar ao consumidor toda a alta das cotações da amêndoa. Para driblar uma eventual nova onda de encarecimento da matéria-prima, a chocolatier aposta em produtos da linha “cookies”, que utilizam menos chocolate, e nos itens banhados.

Henrique de Almeida, produtor de cacau e dono da marca de chocolate Fazenda Sagarana, cultiva 63 hectares em Coaraci, no sul da Bahia. Segundo ele, produzir a matéria-prima protegeu seu produto de reajuste de preços nos últimos anos, mesmo em um momento em que as cotações da commodity alcançaram recorde.

Almeida produz chocolate “tree-to-bar”, ou “da àrvore à barra” — ou seja, ele controla a produção em todas as etapas, do cultivo do cacau à barra de chocolate que chega ao consumidor. A ameaça do El Niño faz com que o produtor reviva experiências da década passada. “No El Niño de 2015, faltou chuva no sul da Bahia entre junho e agosto. Se, a partir de setembro, outubro, essa condição acontecer, teremos impacto sobre a safra temporã de 2027”, diz ele.

A diretora de marketing de chocolates da Nestlé, Paula Munhoz, afirma que a melhor maneira de evitar quebras de safra é preparar os produtores fornecedores. Segundo ela, a multinacional fomenta boas práticas entre produtores parceiros, como a melhoria na gestão da água, distribuição de mudas com alto potencial produtivo e poda correta. A Nestlé compra 40% de todo o cacau que se produz no Brasil e tem 6,5 mil fazendas parceiras no país.

(Com informações do Globo Rural)

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TAGGED:#Cacau#Chocolate#ElNiño
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