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O Portal do Agro > Blog > Agronegócio > Mulheres representam 36% da força de trabalho no agro da América Latina e Caribe
Agronegócio

Mulheres representam 36% da força de trabalho no agro da América Latina e Caribe

Lançamento do Ano Internacional da Agricultora destaca papel feminino na produção, processamento e comercialização de alimentos.

Redação
Última atualização: 10 de março de 2026 22:45
Redação
4 semanas atrás
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O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), QU Dongyu, liderou o lançamento regional do Ano Internacional da Agricultora 2026, iniciativa proclamada pela Assembleia Geral da ONU. O anúncio foi feito durante o 39º período de sessões da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe (LARC39).

A iniciativa busca ampliar a visibilidade do papel das mulheres nos sistemas agroalimentares, além de promover políticas públicas, mobilizar investimentos e fortalecer parcerias voltadas à redução das desigualdades de gênero no setor.

Na América Latina e no Caribe, as mulheres desempenham funções importantes em diversas etapas da cadeia de alimentos, como produção, processamento, distribuição e comercialização. Elas representam 36% da força de trabalho nos sistemas agroalimentares da região. Nos segmentos não agrícolas, a presença feminina é ainda maior: 71% das mulheres atuam em atividades como processamento e comercialização de alimentos.

Foto: Shutterstock

Apesar dessa participação expressiva, persistem desigualdades estruturais. As mulheres rurais têm menor acesso à posse da terra, a serviços financeiros e a tecnologias, além de enfrentarem maior carga de trabalho doméstico e de cuidados não remunerados.

A desigualdade também aparece nos indicadores de segurança alimentar. Na região, mais mulheres do que homens enfrentam fome. Em 2022, a diferença de gênero na insegurança alimentar moderada ou grave chegou a 9,1 pontos percentuais, após ter atingido 11,5 pontos em 2021, aumento associado, em parte, aos impactos da pandemia de Covid-19.

Outro desafio apontado é a exposição às mudanças climáticas. Eventos extremos, como secas e enchentes, têm afetado a produção agrícola e ampliado as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no meio rural.

Durante o evento, ministras e ministros da Agricultura da América Latina e do Caribe destacaram avanços em políticas públicas voltadas ao fortalecimento das agricultoras, mas ressaltaram que ainda há desafios para reduzir as desigualdades no setor.

Ao longo de 2026, o Ano Internacional da Agricultora deverá promover ações em nível nacional, regional e global. Entre os objetivos estão ampliar o acesso das mulheres à terra, financiamento, tecnologia e serviços, além de incentivar a inclusão da igualdade de gênero nas políticas agroalimentares.

O lançamento contou com a participação de René Orellana Halkyer, subdiretor-geral e representante regional da FAO para a América Latina e o Caribe; Fernanda Machiaveli, vice-ministra de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil; María Fernanda Rivera, ministra da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala; Martha Carvajalino, ministra da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Colômbia; Lisa Jawahir, ministra da Agricultura de Santa Lúcia; e María Ignacia Fernández, ministra da Agricultura do Chile.

Também participaram Vânia Marques, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), representando a Marcha das Margaridas, e Soraya Suárez, coordenadora regional das Frentes Parlamentares contra a Fome da América Latina e do Caribe.

Fonte: Assessoria FAO

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