Um estudo cartográfico realizado pela Embrapa Amazônia Oriental (PA) mapeou 121 mil hectares de cacau plantados na Amazônia e concluiu que praticamente todo o avanço da cultura no bioma nos últimos anos ocorreu sobre áreas consolidadas, sem impacto sobre a floresta.
O “raio-X geográfico” analisou as áreas de expansão da cultura nos Estados do Pará e Rondônia. A Embrapa sobrepôs mapas de 2022 e 2024 constituídos por análise espacial em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
No Pará, os resultados revelaram que houve um aumento de 33,26% de área de cultivo de cacau no Estado entre 2022 e 2024, passando de 87,3 mil hectares para 116,4 mil hectares, distribuídos em 61 municípios. De acordo com o pesquisador Adriano Venturieri, da Embrapa Amazônia Oriental (PA), autor principal do trabalho, em torno de 2% do total foi plantado em área de floresta.
“É mínima a quantidade sobre floresta, muito pouco mesmo. O dado mais importante de todos é o tipo de expansão, e no Pará foi a pleno sol”, explicou o pesquisador. Nesse modelo de cultivo, as árvores são plantadas sem consórcio com outras árvores, e portanto sem sombreamento.
Da área total de expansão no Pará, 63% foram em sistemas de monocultivo a pleno sol, enquanto os 37% restantes estavam em sistemas agroflorestais (SAF), que consorciam o cacaueiro com espécies florestais e frutíferas.
Esse perfil de expansão indica que os produtores têm respondido a estímulos econômicos de curto prazo.
Isso sinaliza a necessidade de se reforçar incentivos públicos para os sistemas agroflorestais, que garantem maior diversificação e serviços ecossistêmicos”, defendeu Venturieri.
A dinâmica de expansão em Rondônia foi diferente. O estudo, o primeiro a mapear a cacauicultura no Estado, identificou 5.340 hectares com o fruto em 51 municípios. E, nas áreas alteradas pela ação humana mapeadas, 62% são cultivados em sistemas agroflorestais e 38% a pleno sol, o que Venturieri considera “singular e extremamente promissor”.
Em ambos os Estados, a agricultura familiar foi predominante. Da área no Pará em 2024, 84,65% possuíam até 5 hectares. Em Rondônia, 75% das áreas estavam em áreas de até 5 hectares.
(Com informações do Globo Rural)