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Agronegócio

Café solúvel mira recorde em 2026, mas indústria vê pressão sobre custos

Até agosto, exportação do solúvel cresceu 12,8% e consumo interno aumentou 11,9%, porém setor teme perda de competitividade com o fim de crédito tributário para a matéria-prima

Redação
Última atualização: 18 de setembro de 2026 21:16
Redação
3 semanas atrás
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Café solúvel (Foto: reprodução/Abics/CNN Agro).
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A indústria brasileira de café solúvel caminha para um possível recorde de exportações e consumo interno em 2026, mas já olha para uma pressão sobre os custos no ano seguinte. Enquanto a expansão das vendas à Europa e a recuperação dos embarques aos Estados Unidos sustentam o avanço no exterior, o setor alerta que a perda de um crédito tributário sobre a matéria-prima pode comprometer sua competitividade a partir de janeiro.

Contents
  • Europa avança e Estados Unidos ensaiam recuperação
    • Consumo cresce também nos produtos de maior valor agregado
      • O custo que preocupa a indústria

A percepção acompanha o desempenho de mercado do setor que, entre janeiro e agosto, exportou 65,3 mil toneladas, alta de 12,8% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel). No mercado interno, o consumo chegou a 19,7 mil toneladas, crescimento de 11,9% no mesmo intervalo de comparação.

O movimento também não se limita a um mês: com exceção de janeiro, todos os meses de 2026 igualaram ou superaram os volumes exportados um ano antes, de acordo com a entidade.

Em agosto, os embarques alcançaram 7,7 mil toneladas, avanço de 24,9% na comparação anual. A perspectiva de recorde, portanto, se apoia no crescimento acumulado e na expectativa de continuidade da recuperação em mercados relevantes.

Europa avança e Estados Unidos ensaiam recuperação

A União Europeia, principal destino do café solúvel brasileiro quando considerada como bloco, comprou 13,1 mil toneladas até agosto, alta de 44,2%. Isso representa aproximadamente um quinto de todo o volume exportado pelo Brasil no período.

A Abics avalia que a entrada em vigor do Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia, em 1º de maio, abre espaço para ampliar essa presença.

Nos Estados Unidos, maior importador individual do produto brasileiro, o cenário exige uma leitura em duas etapas.

Os embarques ainda acumulam queda de 6,1% em relação a 2025, mas cresceram 86,8% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Segundo a entidade, agosto foi o primeiro mês completo após a retirada do tarifaço. A alta sinaliza recuperação, embora ainda não tenha sido suficiente para reverter a perda acumulada no ano.

A continuidade desse movimento é uma das apostas do diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, para sustentar o desempenho até dezembro.

O Brasil tem forte possibilidade de bater recorde tanto em volume exportado quanto no consumo interno de café solúvel”, afirma.

Consumo cresce também nos produtos de maior valor agregado

No Brasil, a expansão alcança as duas categorias acompanhadas pela associação. O consumo de café solúvel do tipo spray dried cresceu 11,7%, enquanto o freeze dried, de maior valor agregado, avançou 13,3%.

O crescimento um pouco mais acelerado da segunda categoria indica espaço para produtos de maior valor agregado, mas os percentuais, isoladamente, não permitem concluir que houve uma mudança expressiva no perfil do consumo.

Lima associa o desempenho aos investimentos das indústrias e ao lançamento de produtos. Somados às perspectivas do comércio exterior, esses fatores sustentam a expectativa de um resultado histórico.

Os dados apresentados pela entidade, porém, medem volumes. O avanço das vendas não permite, por si só, concluir que houve aumento proporcional do faturamento ou das margens das empresas.

O custo que preocupa a indústria

É na estrutura de custos que está a principal preocupação da Abics para 2027. Segundo a entidade, o crédito presumido de PIS/Cofins sobre a compra de café verde, utilizado pela indústria para reduzir o custo da matéria-prima, foi reduzido de 7,4% para 6,66% em 2026 e será extinto em janeiro do próximo ano.

Na avaliação de Lima, a inclusão do café na Cesta Básica Nacional, com alíquota zero de CBS e IBS, não substitui o efeito financeiro desse crédito.

Como consequência, a extinção do benefício representará um aumento na estrutura de custos da indústria brasileira de café solúvel, com impactos sobre toda a cadeia produtiva”, afirma.

O percentual do crédito incide sobre a matéria-prima e não deve ser interpretado como uma alta equivalente no preço final do produto. O impacto dependerá da estrutura de custos de cada empresa e de sua capacidade de absorver ou repassar a diferença.

A associação diz negociar alternativas de transição ou compensação com o governo federal e o Congresso, mas afirma que ainda não há sinalização de reversão da medida.

(Com informações da CNN Agro)

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TAGGED:#café#Exportação#Indústria
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