Consumida em saladas, sopas, refogados e até bolos, a cenoura virou a principal vilã do bolso do consumidor em 2026. Entre janeiro e abril, a hortaliça originária do Afeganistão, na Ásia, acumulou alta de 79,35%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta terça-feira (12/5).
O aumento expressivo colocou a cenoura no topo da lista dos que mais encareceram neste ano e também com a maior alta mensal da inflação no grupo “Alimentação e Bebidas”. Apenas em abril, a hortaliça subiu 26,63%, número próximo ao apresentado em março, que foi de 28,08% (confira abaixo).
- Abril: + 26,63%
- Março: + 28,08%
- Fevereiro: + 0,58%
- Janeiro: +9,94%
- 2026: + 79,35%
A disparada no IPCA tem relação direta com os problemas causados por eventos climáticos extremos nos primeiros meses de 2026, como excesso de chuva em algumas regiões produtoras e períodos de seca em outras. A consequência foi a redução da oferta e a alta dos preços nas prateleiras de feiras e supermercados. Além do clima, produtores também relataram aumento nos custos de produção, transporte e logística.
Em Minas Gerais, por exemplo, um dos fatores que limitaram a oferta de cenouras de tamanho padrão recentemente foi o chamado “ombro roxo”, alteração fisiológica causada pela incidência direta de luz na raiz, destaca o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A disparada do preço está ligada à menor oferta de raízes de qualidade superior, agravada pelo excesso hídrico no verão, que provocou deformidades e a chamada ‘mela’. Em abril, o volume mensal de oferta seguiu restrito, especialmente das cenouras vindas de Minas Gerais, com relatos de baixo calibre e alta incidência de raízes danificadas”, explicou o chefe de economia da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), Thiago de Oliveira.
A mela é uma doença favorecida por umidade e temperaturas elevadas, informa a Ceagesp. Neste caso, o fungo apodrece as raízes e deixa a cenoura com aspecto encharcado para a comercialização.
Conforme a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o problema está relacionado ao excesso de chuvas, uma vez que os grandes volumes retiram a camada de solo que cobre as raízes, deixando-as expostas ao sol.
Veja os alimentos mais subiram de preço em 2026:
- Cenoura: 79,35%
- Tomate: 54,34%
- Pepino: 48,60%
- Abobrinha: 36,10%
- Feijão-carioca (rajado): 32,56%
- Repolho: 29,28%
- Cebola: 27,47%
- Morango: 24,40%
- Batata-inglesa: 21,53%
- Leite (longa-vida): 21,39
- Couve-flor: 21,32%
- Brócolis: 20,84%
- Batata-doce: 19,50%
- Couve: 15,21%
- Alface: 13,76%
(Com informações do Globo Rural)