As famílias paraenses observaram uma redução no preço do café nos últimos meses, conforme análises do Instituto Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA). A queda, registrada em supermercados da Grande Belém, ocorre após um longo período de fortes reajustes e representa um alívio para o orçamento doméstico em 2026. Em janeiro de 2026, o quilo do café em Belém custava, em média, R$ 68,13. Em maio, o valor caiu para R$ 65,65 e, em junho, chegou a R$ 64,73, firmando a tendência de queda.
Nesse cenário, as análises comparativas indicam que o preço médio do café ficou 1,4% mais barato em junho de 2026 em relação a maio. No acumulado do primeiro semestre de 2026, a redução atinge 6,54%. Já na comparação dos últimos doze meses (junho de 2025 a junho de 2026), o recuo acumulado alcança 14,17%.
Conforme a análise, fatores como a entrada da nova safra brasileira e a redução das pressões internacionais contribuíram para o recuo dos preços. O menor ritmo das exportações brasileiras também ampliou a oferta interna do produto.
Apesar da recente queda, o valor do café ainda se mantém elevado em comparação aos patamares anteriores à valorização de 2025. “O consumidor já não paga os maiores valores observados no auge da alta dos preços, mas ainda desembolsa quantias superiores às verificadas antes da expressiva valorização do produto”, aponta o estudo, assinado pelo supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa.
Fatores para a valorização de 2025
A forte valorização do café em 2025 foi atribuída a uma combinação de fatores climáticos, econômicos e internacionais, de acordo com o Dieese/PA. Entre eles, destacaram-se estiagens prolongadas e altas temperaturas nas regiões produtoras brasileiras, que impactaram a produtividade.
Em março do ano passado, por exemplo, o produto custava R$ 67,72, acumulando alta de 35,39% no primeiro trimestre daquele ano e de 91,52% em 12 meses, conforme pesquisa divulgada pelo Dieese, na ocasião.
Outros fatores que influenciaram nessa valorização foram: menor oferta global do grão, aumento das exportações do Brasil e valorização das cotações no mercado internacional. Oscilações cambiais e a elevação dos custos logísticos e de transporte também contribuíram para o cenário.
(Com informações de O Liberal)