O preço dos ovos voltou a subir em Belém em março e acumula alta de até 23% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Dieese/PA divulgado nesta quarta-feira (22). Apesar da elevação recente, o produto ainda registra queda nos últimos 12 meses.
De acordo com a pesquisa, os reajustes em março variaram entre 5% e mais de 15%, tanto em supermercados quanto em feiras livres e mercados municipais da capital. O aumento foi observado de forma generalizada entre os diferentes tipos de embalagem.
Nos supermercados, a dúzia de ovos apresentou alta de 10,42% em março na comparação com fevereiro, passando de R$ 10,94 para R$ 12,08. No acumulado do primeiro trimestre, o aumento foi de 11,13%. Ainda assim, no comparativo com março de 2025, o preço médio do produto registra queda de quase 16%.
Já a bandeja com 30 unidades teve aumento mais expressivo. O preço médio passou de R$ 24,81 em fevereiro para R$ 28,70 em março, uma alta de 15,68%. No acumulado entre janeiro e março, o avanço chega a 23,39%. Em relação aos últimos 12 meses, porém, o produto apresenta recuo de 8,45%.
Alta também atinge feiras e mercados
A tendência de aumento também foi registrada nas feiras livres e mercados municipais de Belém. A bandeja com 15 unidades passou de R$ 9,75 em fevereiro para R$ 10,34 em março, alta de 6,05%. No primeiro trimestre, o avanço foi de 7,04%. No entanto, na comparação anual, o preço ainda acumula queda de 32,29%.
No caso da bandeja com 30 unidades, o preço médio subiu de R$ 19,60 para R$ 20,74 entre fevereiro e março, o que representa aumento de 5,82%. No acumulado do ano, a alta é de 7,24%. Já em relação aos últimos 12 meses, a redução chega a 29,43%.
No comércio local, vendedores também destacam os impactos da atual crise de combustíveis que o país enfrenta, devido aos conflitos no Oriente Médio, de onde vem a principal parcela do petróleo. Segundo o vendedor local, Daniel Cavalcante, 23 anos, os empresários reajustaram os preços conforme o aumento que também receberam na hora da compra, o que pressiona o preço do produto final com os consumidores.
Ele explica que no estabelecimento em que trabalha o preço da cuba de ovos varia entre R$ 11 o mais barato e R$ 30 a mais cara. Esses valores mudam de acordo com cada tipo de ovo e o tamanho da cuba. O balanço foi feito pelo vendedor na manhã da quarta-feira (22/04) e tem variado de acordo com as movimentações econômicas do cenário nacional.
A Cuba do tipo mais barato sai a R$ 11,00 e a Cuba com 30 unidades sai por R$ 22,00. Já a cuba do mais caro, que é o ovo caipira, ele sai a R$ 30,00”, avalia o vendedor.
Outro fator que também influencia nas vendas são os dias de maior demanda e o clima. Isso porque a movimentação mais intensa se concentra em dias mais quentes, sobretudo, nos fins de semana, como explica Cavalcante.
Aqui a venda só dá uma caída em alguns dias, como na segunda-feira, terça-feira e pós-feriado. Agora, sábado e domingo, aqui fica uma fila imensa”, avalia.
Custos de produção influenciam preços
Segundo o Dieese/PA, o comportamento dos preços dos ovos está diretamente ligado às variações nos custos de produção, especialmente de insumos como milho e farelo de soja, utilizados na alimentação das aves. Além disso, fatores sazonais, reajustes na logística e aumento nos custos de transporte também contribuem para a elevação dos preços ao consumidor.
Mesmo com a alta registrada no início de 2026, o levantamento aponta que os preços ainda não recuperaram os níveis observados no mesmo período do ano passado, mantendo a tendência de queda no acumulado anual.
Preços dos ovos em supermercados (últimos 12 meses)
Bandeja com 12 unidades
• Mar/26: R$ 12,08
• Fev/26: R$ 10,94
• Jan/26: R$ 11,26
• Dez/25: R$ 10,87
• Mar/25: R$ 14,35
• Variação no mês: +10,42%
• Variação no ano: +11,13%
• Variação em 12 meses: -15,82%
(Com informações de O Liberal)