A indústria brasileira moeu uma quantidade recorde de trigo em 2025: 13,275 milhões de toneladas, 0,6% mais que em 2024. A informação é da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), que reúne os moinhos. Segundo a entidade, o consumo aquecido e diversificação de produtos determinaram o resultado.
De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, Daniel Kümmel, o aumento da moagem no Brasil mantém uma trajetória consistente desde 2021. “Estamos com um crescimento total nos últimos cinco anos de 4,5%”, afirmou. O dirigente destacou que o avanço da moagem tem superado o crescimento populacional, o que indica aumento do consumo de derivados de trigo no país.
A mudança também aparece no perfil dos produtos. Embora a panificação ainda represente cerca de 30% da moagem nacional, cresce a demanda por pré-misturas, massas, biscoitos, pães congelados e produtos premium, como farinhas especiais e integrais. “Os pães especiais e artesanais também estão crescendo. A diversidade de produtos entregues hoje é muito maior”, disse Kümmel.
A pesquisa da Abitrigo também mostra como cada região do país depende do grão importado. No Nordeste, o volume corresponde a 95% da demanda. São Paulo usa 72% e a região Centro-Oeste, junto com Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, 64%.
Kümmel explicou que a logística influencia diretamente essa dinâmica. “Moinhos do Norte e Nordeste já têm uma estrutura consolidada para receber trigo importado. Estruturalmente, é muito mais viável”, afirmou.
O executivo também chamou atenção para a queda na qualidade do trigo argentino na última safra, tradicional fornecedor do mercado brasileiro. “Foi o ano de maior impacto na qualidade do grão argentino. Houve queda de proteína e glúten”, disse.
Segundo ele, o cenário levou os moinhos brasileiros a utilizarem trigo nacional para melhorar a qualidade das misturas. “Hoje, os trigos nacionais brasileiros são melhoradores do trigo argentino, o que é inédito”, afirmou.
Apesar do avanço da moagem, o setor segue preocupado com o aumento dos custos ao longo da cadeia produtiva. Kümmel que a guerra do Irã eleva preços de frete e de embalagens. “Todas essas variáveis geram uma preocupação muito grande na questão do fluxo e do preço do produto final”, disse o executivo. Segundo Kümmel, parte dessa alta pode ser repassada ao consumidor final, atingindo produtos como pães, massas e biscoitos.