A piscicultura brasileira pode perder mais de US$ 38 milhões caso a tilápia, carro-chefe das exportações do setor, seja incluída na lista de espécies exóticas invasoras. O alerta e a estimativa são da Associação Brasileira de Piscicultura, a Peixe BR. A decisão deve sair no dia 27 de maio em reunião da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), órgão do Ministério do Meio Ambiente.
Mesmo que não afete o comércio interno, de acordo com o levantamento da associação, a decisão pode ser interpretada internacionalmente como um reconhecimento oficial de risco ambiental pelo próprio governo brasileiro, criando precedentes para restrições sanitárias, ambientais e comerciais em mercados considerados estratégicos para o setor.
A principal preocupação está relacionada ao desempenho das exportações de tilápia, especialmente para os Estados Unidos, principal comprador do produto brasileiro. Atualmente, aproximadamente 85% das exportações nacionais da espécie têm como destino o mercado norte-americano, movimentando cerca de US$ 35 milhões por ano.
No ano passado, já houve uma queda abrupta dos embarques a partir de setembro devido ao tarifaço de 50% imposto aos produtos brasileiros pelo presidente americano, Donald Trump, e os embarques ainda não voltaram aos níveis anteriores.
Para o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, a classificação da tilápia como espécie invasora abriria um precedente crítico para o setor.
“Em 2010, os Estados Unidos classificaram a carpa asiática como espécie invasora. Como consequência, as exportações chinesas da espécie registraram queda de aproximadamente 97% em apenas um ano, sem recuperação posterior do mercado.”
É com base nesse cenário que a entidade projeta uma redução de até 90% nas exportações da espécie em um período de seis meses. Além dos efeitos diretos, a Peixe BR alerta para possíveis impactos indiretos sobre outras espécies e segmentos da aquicultura brasileira. A projeção é de um efeito cascata capaz de gerar perdas anuais de aproximadamente US$ 64 milhões ao setor pesqueiro exportador.
Espécies nativas, como tambaqui e pintado, também poderiam sofrer consequências comerciais em razão do aumento de auditorias internacionais, endurecimento de exigências sanitárias e possíveis desgastes à imagem da aquicultura brasileira no mercado internacional.
Mercado europeu
Sem permissão para exportar peixes para a Europa desde 2018, o setor tenta reabrir esse mercado, considerado muito importante pelo alto consumo de pescado (24 a 27 kg de média per capita ante os 10 kg do brasileiro).
Uma comissão da União Europeia agendou uma visita para junho deste ano para vistoriar as condições de produção e abate de peixes no país.
(Com informações do Globo Rural)